Aquele do guia House M.D.

A série já acabou, todo mundo já viu o final (menos eu), o livro nem é novo… E mesmo assim cá estou trazendo algo a respeito. Do autor Toni de La Torre, o livro Dr. House – um guia para a vida, traz dicas para fracassar em todos os aspectos da vida e ficar ranzinza e amargurado como o protagonista.

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A ideia é explicar como se tornar antipático e neurótico com muito humor. O livro traz dicas completas com esse objetivo, que nós, a priori, nos sentimos muito satisfeitos em perceber que seguimos à risca.

Li esse livro no primeiro ano, 2011, e desde então, ficou na prateleira. Até ontem à noite, quando o resgatei para mostrar ao meu primo, estudante de psicologia. E lendo alguns trechos, até percebi que já estou precisando de outra dose de House – porque ser Pollyanna já cansou faz tempo.

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Embora pareça um livro apenas para diversão, o que é ótimo, ele acaba sendo um livro de auto-ajuda às avessas maravilhoso. E olha que eu tenho o maior preconceito com livros de auto-ajuda (pronto, falei!).

Ele ajuda não como a maior parte, nos ensinando o que fazer, como lidar com a dor, com a perda, com isso ou aquilo – e menos ainda nos dizendo o que não fazer. A ideia é dar lembretes, e dicas, sobre como proceder se quiser justamente ficar do avesso. Ficar rabugento, desesperançoso e mal amado. O anti-herói ideal.

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Quer ver?

Dá só uma olhada nesses lembretes de fim de capítulo:

Desconfie sempre dos outros. Se não tem argumentos para isso, invente algo.

O mundo conspira contra você, faça o possível para encontrar os culpados.

A sabedoria não consiste em aprender com os erros, mas em se lamentar por eles.

Converta o passado em uma época ideal que nunca poderá ser comparada ao presente.

Em vez de averiguar a verdade, faça suposições e imagine o pior.

Imponha-se metas impossíveis, pois dessa forma nunca conseguirá alcançá-las.

Não pense no que já conseguiu, mas fique obcecado com o que ainda não fez.

E esses são só alguns – os meus preferidos. Acho que nem preciso me estender muito explicando que são meus preferidos porque são os que mais faço. Acredito que todo mundo acaba sendo um pouco assim, às vezes. Só que tem hora que a gente deixa isso passar os limites do bom senso. Quando o mundo conspira contra você, quando você não pode confiar em ninguém, quando suas conquistas não representam nada, algo está definitivamente fora dos eixos.

A forma que o autor encontrou pra passar a mensagem não poderia ter sido melhor, pois o que começa como um livro para passar a tarde acaba se tornando um tema interessante de reflexão sem moralismo, sem contos de fada, sem final feliz nem método fantástico para chegar onde se quer, e sim alguns pensamentos que nos levam – pelo bem, pelo mal – a nos identificar e formalizar isso em nossa mente, que é quando finalmente percebemos quantas vezes fazemos papel de House e sabotamos nossos próprios planos.

Cinco estrelas.

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Aquele do Conto #1

É, eu tô sabendo que está grandinho. Mas eu gostei, e pra um primeiro conto, ficou bom. (Eu que fiz, hihi)

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Ainda era muito cedo quando acordei. Acordei, mas demorei a abrir os olhos. O despertador ainda não havia tocado, então ainda poderia ficar deitada por mais algum tempo. De preferência, tentando não pensar em todas as tarefas que me esperariam pelo dia. Caleb ainda estava deitado, virado de costas, aparentemente adormecido. Enquanto esperava a minha hora, fiquei observando sua respiração leve, com o cabelo caindo suavemente sobre a testa comprida. Eu sabia que em breve iria tentar, vez após vez, acordá-lo, até que ambos estivéssemos atrasados para nossos respectivos compromissos.

O dia começava a amanhecer quando o alarme do celular disparou. A essa altura, eu já estava tão desperta quanto estaria durante o resto do dia. Levantei-me, ajeitando o caimento da blusa velha e gasta que usava como pijama. Nunca gostei de camisolas. Embora sejam lindas, sempre se atrapalham durante o sono, deixando algumas partes do meu corpo incomodamente despidas. Me olhei no pequeno espelhinho do banheiro. Meu cabelo não estava tão ruim assim, para quem acabou de acordar. Lavei o rosto, escovei os dentes e comecei a me preparar para mais um dia.

Fui na direção da cozinha. Olhei a parede com seus azulejos antiquados, decorados rusticamente com galos que se desbotaram muito antes de me mudar para cá. Fervi a água para dissolver nela café pronto. Misturei com um garfinho de sobremesa, para fazer um pouco de espuma junto do açúcar. Ao primeiro gole, minha face se contorceu numa careta, e cuspi lentamente. Levei a caneca para a pia do banheiro e derramei seu conteúdo marrom e límpido.

Eca. Fui à geladeira, e peguei a garrafinha de suco de laranja. Enchi um copo duplo e pus duas pedras de gelo. Bem melhor. Acompanhei o suco com um pedaço de baguete dormida e fofinha. Bem melhor…

Tudo isso levou menos de dez minutos. Rapidamente voltei para o quarto e escolhi a roupa confortável que seria aceita em serviço, enquanto começava o processo de acordar Caleb. Ainda faltava meia hora para que eu tivesse que estar no escritório. Ele resmungava de uma forma adorável. Por fim, acabei cedendo e deixando-o dormindo enquanto ia embora.

Já na estação do metrô, percebi que havia esquecido a chave do escritório. Suspirei, irritada comigo mesma, pensando “Muito bem, Cassandra… Está de parabéns.” Recém-formada e sem chave. Era só o que precisava.

Voltei para casa com certa preguiça. Pra quem começou o dia tão cedo, esse tipo de imprevisto era extremamente devastador para o ânimo. Deveria ter percebido. Agora começaria tudo atrasada.

Cheguei e ainda encontrei Caleb por lá. Estava mansamente tomando seu desjejum, apoiado no balcão misturando algo num copo que parecia conter chocolate quente. Surpreso, mas não espantado, com a minha volta, levantou os olhos e sobrancelhas de forma interrogativa, sem de fato fazer nenhuma pergunta. Impaciente, respondi à ausência de palavras “Esqueci a chave do escritório, ok?”. Ele levantou a mão livre como quem dissesse que não tem nada com isso.

Saí a passos duros na segunda tentativa de começar o dia. Dessa vez, certifiquei-me de não estar deixando nada essencial para trás. Parei novamente no metrô, segurando minha pasta contra o peito e minha bolsa bem firme, com meu melhor olhar de durona para desmotivar qualquer tentativa de furto ou assalto. O trem chegou, formou-se uma pequena fila desordenada, e após alguns instantes de empurra-empurra, consegui entrar.

Sentei-me ao lado de uma velha senhora, assustadoramente típica: cabelo branquinho em coque, feição meiga e enrugada, óculos de fundo-de-garrafa, um vestido florido, mocassins e uma bolsinha minúscula de crochê. Para ser uma figura mais sombria, só mesmo se carregasse uma bengala. Mas acho que não era velha o bastante para ser curvada ou não conseguir andar sem apoio. Ela olhou discretamente para minha pasta, obviamente tentado ler os papeis.

Senti-me incomodada com o olhar, que apesar de discreto, era invasivo. Como a maioria das pessoas, gostava da minha privacidade, ainda que em lugares públicos. Mas não disse nada. Ela me olhou fundo nos olhos e perguntou:

— Advogada?

— Sim… — Respondi, sem ser seca e sem tentar puxar mais conversa.

— Meu homem é advogado também.

— É mesmo? — Uma curiosidade perdoável instalou-se em mim. — Quem é seu marido? Talvez eu o conheça.

— Ah, minha querida! Poucas pessoas da sua idade devem conhecê-lo! Por acaso é familiar pra você o nome de Dr. Otávio Rocha?

Era. No meu segundo estágio, no fórum, o conheci. Não era uma pessoa particularmente agradável. Havia boatos de que ele daria em cima das funcionárias e também das estagiárias. Uma das minhas colegas chegou a dizer que o teria flagrado olhando-a maliciosamente. Nunca dei confiança para esse tipo. Mas como também só havia rumores, preferi não mencionar nada nesse respeito.

— Conheço, sim. Fui estagiária no fórum durante algum tempo.

— E o que achava dele?

A pergunta me pegou de surpresa. Eu tinha que fazer uma escolha rápida, pois a hesitação também mostra opinião, e eu o enfrentaria novamente em uma causa daí a poucos dias. Não deveria ser indelicada nem bajuladora. Afinal, evidentemente, essa era sua esposa, e se eu tivesse algo a dizer que merecesse ser mencionado, ela o faria.

— É um homem inteligente. — respondi com crueza.

Ela fez a cara de quem espera algo mais da nossa fala, arqueando as sobrancelhas, franzindo o cenho e olhando por cima dos óculos. Com ar escusatório, como se estivesse mesmo planejando continuar a falar, prossegui:

— E é também um homem muito competente.

— Mais do que você?

Arregalei dois olhões surpreendidos. Como eu me safaria dessa? Não gostaria de criar um rival, e ao mesmo tempo não seria sensato fazer marketing contra o meu próprio trabalho. Nunca se sabe quando há um cliente escutando, e mesmo que não houvesse nenhum, não seria capaz de rebaixar minha vaidade ao me colocar como inferior ao velhote. Nã-não. Assim não.

— Temos nossas diferenças eu e ele, a senhora entende, mas a minha opinião seria muito tendenciosa!

Tentei passar um ar mais brincalhão nessa segunda frase, para ver se ajudaria a não continuar por esse rumo. Não adiantou. Ela baixou os olhos perceptivelmente decepcionada e deu uma olhadela no jornal que segurava.

Ela levantou os olhos novamente enquanto eu apoiava as costas contra o banco, sentindo-me num interrogatório policial. Quanto tempo faltaria para o metrô chegar a seu destino?

— Você o conheceu bem, durante o estágio?

Ai céus. Será que ela não vai parar de falar? Fui ficando desconcertada e respondendo às suas perguntas, uma a uma, sempre me encurralando sobre minha opinião quanto ao Dr. Otávio. No começo, eram perguntas distantes, até que ela começou a perguntar coisas tão pessoais que acabaram por me deixar ainda mais impaciente. Mas que diazinho!

— Você se lembra da hora que ele chegava?

— Acho que perto das oito.

Pausa.

— E ele saía para o almoço?

—Não, levava um sanduíche no papel alumínio e descansava no carro, pelo que me lembro.

— E você sabe, hum, se alguém falava sobre ele ter outra pessoa?

Fiquei sem resposta. Engasguei no ar e praguejei entre um tossido e outro. Tentei ficar o mais fora de cena que pudesse, enquanto mastigava e digeria internamente a pena que eu sentia da velha senhora por ter um marido daqueles.

—Parece que a coloquei contra a parede. Desculpe. — Ela disse, então.

Dei um suspiro silencioso enquanto agradecia, também em silêncio, o fim da conversa. O trem que nos levava subitamente parou. Despedi-me com polidez e desci. Depois de cinco minutos de caminhada, percebi que a velha me seguia.

Acelerei o passo, atravessei a rua, mal mal olhando antes de cruzar a faixa. E ainda estava a velha a me seguir. Entrei no escritório com um alívio de quem sai de um show em que estava do lado da caixa de som. Tentei escutar meus pensamentos e espiei entre as gretinhas da persiana. Não a via mais. Ótimo!

Em cinco minutos a sineta tocou e meu secretário anunciou que havia um cliente chegando. Fiz minha pose de solícita juntando as mãos em cima da mesa de forma convidativa. Quando ele abriu a porta, vocês já imaginam quem era. Eu não imaginava.

A velha.

— Você por aqui?

Tentei falar parecendo só surpresa, e não sombriamente assustada com a sua chegada no meu escritório.

— Sim, sim. Uma sorte ter te encontrado para guiar o caminho. Ainda não sabia quem procurar.

— Não estou entendendo…

— Qual parte você não entendeu? Vim procurá-la porque quero uma pensão do Dr. Otávio!

Olhei-a com uma fáscie que poderia ser descrita como algo entre intrigada e desconfiada.

— Como assim?

— Meu deus. Como a senhora é devagar, doutora! — Agora era ela quem ficava impaciente — Depois de todos esses anos com o Dr. Otávio, a esposa dele me descobriu.

Fiquei estarrecida. A velhinha, irritante, porém dócil, era a amante? Bom, não tinha mais o que ser nessa frase.

— E como ela vai pedir o divórcio, preferi procurar um profissional antes que os bens fiquem pela metade, depois que ela passar a mão.

A sineta tocou novamente. Perguntei à senhora se haveria problema esperar, já que a outra cliente havia marcado um horário. Conversaríamos logo em seguida.

A porta se abriu, e de dentro dela veio uma outra senhora. Bárbara Rocha. Processo de divórcio.

As duas se olharam como se fossem velhas conhecidas, mas não com afeição.

Baixei os olhos. Ajeitei meu queixo confortavelmente na minha mão, por dois segundos, e as observei novamente. Deixei a mente rodopiar pela sala e olhei novamente pela persiana. Um dia bonito, ainda não passava das nove horas. E meu Caleb provavelmente ainda estaria em casa. Levantei, peguei a jaquetinha, a pasta e a bolsa, e fui andando até sair do escritório. Deixando a chave pra trás.

Aquele do B. Bretch

Conheci esse poema há alguns anos, num livro de história que acredito ser da 7ª série, atualmente dito 8º ano. E é um excelente poema, de um autor que parecia muito um professor meu. Merece estar aqui =)

 

“Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afetou
Porque eu não sou operário.
Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.
Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.”
 
Bertolt Brecht
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Aquele do meu alter ego cartunista

Hahahahaha!

Esses dias cismei que posso fazer de tudo. Deve ser, né?

Pra achar que dá pra criar HQ desse jeito!

Como este é meu blog e vocês, queridos seguidores, parecem gostar dessas coisas, deixo aqui minha criação inicial. 

Não é grande coisa, mas é sempre um começo.

O plano é usar essa ideia e tentar fazer melhorado, depois. (E põe melhorado nisso!). Mas fica a prévia, enquanto isso. Divirtam-se!

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É o que tem pra hoje! 😉

Aquele do felizes para sempre

Já imaginou o que houve com as princesas depois do final da história? Obviamente, as histórias nunca contam tudo.

Dina Goldenstein, em sua série de fotos artísticas Fallen Princesses, imaginou pra nós. Ela recriou cenas das princesas após seu casamento, onde normalmente as histórias acabam, mostrando recortes de uma realidade mais plausível.

Ó, cruel verossimilhança!

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Aquele da visita à Terra Média

Como atrativo para a segunda parte de O Hobbit, o Google, em parceria com a Warner, criou um mapa virtual para que as pessoas possam passear pelo mundo de Tolkien (detalhe: com visões em 3D). É possível dar uma volta em Valfenda – terra dos elfos, a floresta dos trolls e Dol Guldur, com algumas cenas interativas que permitem, por exemplo, fazer as flores brotarem ou ler informações sobre alguns personagens da saga. Há ainda locais travados com cadeados, que suponho serem desbloqueados aos poucos. Divirtam-se, pequenos gafanhotos! O mundo é de vcs! (Você tem a minha espada, e o meu arco, e o meu machado!)


http://middle-earth.thehobbit.com/