Aquele do #EuNãoMereçoSerEstuprada

Bom…

Bom nada.

O que é que foi essa reação em relação à pesquisa do Ipea?

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Pra quem não está sabendo, o cartaz acima resume – sim, de maneira sensacionalista – o que a pesquisa trouxe. Mas o que impressiona mais não são os dados. Não são os 65%. Se fossem 40, 35, 30%, eu ainda ficaria horrorizada. O que me deixa mais De Cara são, como sempre, os comentários.

Junto com a pesquisa, veio o movimento #EuNãoMereçoSerEstuprada. Um movimento feminista que luta por um direito que é dos mais básicos, de não ser agredido sexualmente. Um movimento que merece nada menos que aplausos e gritos de “Bravo!”. Mas no lugar disso, quando abri a página, o que vi foi, de verdade, assustador. Horrendo. Hediondo.

Vi comentários do tipo “Já estuprei e estupro de novo”. “Não é estupro, é sexo surpresa”. “Se ela gemer, não é estupro”. “Se estivesse em casa lavando a louça não tinha sido estuprada”. Além de ameaças, desdenhas e outras coisas chocantes. Em uma das fotos, de uma moça gorda adepta do movimento, alguém disse “ninguém ia querer te estuprar mesmo”. Em outra, de uma menina considerada pela massa atraente, um horripilante “Vou deixar um oco nesse teu rabo”. É pra ficar abismado, né?

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E depois disso tudo, sempre tem alguém pra te chamar de “feminazi”. O quê? Então é nazismo não querer ser estuprada? É tirania exigir respeito pelo seu corpo e pelo seu espaço nas esferas social e privada? De todas aquelas incitações à violências mencionadas no último parágrafo, a que me deixou mais desconcertada foi a que grifei. Ela é bárbara, é macabra. Ela imprime todas essas visões (ridículas) da inferioridade da mulher, da culpabilização da mulher e da noção de que “mulher direita” – seja lá o que for isso – não é estuprada.

E daí levantam-se mais e mais tópicos do machismo se apresentando na violência. Os encoxamentos no metrô, os estupros coletivos, os boa-noite cinderela que aparecem por aí o tempo todo. Exemplo é o que não falta. E a sociedade encoraja esse tipo de atitude. Seja de uma forma mais enfática, como encobrindo o estuprador (o velho “É estuprador. Mas se for meu amigo, então a mulher é que é uma vadia”) ou de formas sutis, que acontecem mais vezes e direto, com a mamãe falando “Não usa essa roupa, você quer ser estuprada?”, ou com o cara que faz graça dessa situação infeliz – e os que riem (sim, eu me referia ao Rafinha Bastos. Mas tem muitos, muitos, muitos outros por aí.) E todos eles só servem para uma coisa: culpar a vítima.

ImageÉ super triste quando se vê uma notícia de estupro e a primeira pergunta é o que a vítima estava usando. Então começam as apostas sobre o fato da roupa ser provocante, isso ou aquilo. Raras exceções, quase não se vê alguém interessado em saber se o estuprador foi preso, se alguém tentou ajudar. Não. A cultura do estupro é a que irresponsabiliza o estuprador como uma pessoa doente – como uma vez eu pensei -, uma pessoa louca, uma pessoa que está à margem da sociedade. Então, quando percebemos que os estupradores são nossos amigos, primos, tios, pais, a tendência é tentar justificar, pelo carinho que temos com essas pessoas, a  sua atitude. Aí começam os “não é estupro”. Ela que provocou. Não devia estar sozinha a essa hora. Se sai com essa roupa é porque tava querendo.

E pra tirar a culpa do agressor, a jogamos em quem está mais vulnerável, em quem justamente não a merece. A vítima. A estuprada (ou ainda o estuprado, porque  embora as pessoas gostem de se esquecer homens também são vítimas de estupro).

Parem de colocar a culpa na vítima. Agora. Pra ontem.

Não se convenceu, até hoje, de que a vítima não pode evitar ser estuprada usando calças com cadeado? Ok, vamos tentar outra dinâmica. Dá uma olhada no vídeo aí embaixo.

Se depois disso tudo você ainda acha que a culpa é da roupa, que o mundo não é machista e tenta a todo custo subjugar a mulher, que o feminismo é uma ditadura ou que um qualquer tem que agradecer por ser estuprado, eu só posso assumir que você é um/uma machistinha ridícul@. E tem mais. Podem ir parando de incentivar a agressão, porque incitação ao estupro também é ilegal, ok? (Vê lá a Maria da Penha. Talvez você já tenha escutado falar dessa lei.)

Ah! E nada de desmerecer a luta de hoje porque existiram mulheres que lutaram pelos seus direitos de outras formas. Não venha nos impor um jeito certo de protestar contra uma cultura opressora. …Maria da Penha ganhou direitos sem mostrar os peitos! – É, ela só teve que morrer, pra isso.

Quer dicas de como evitar o estupro? Tudo bem, elas existem. Mas são bem diferentes das que a gente está acostumado a ver. E essas, diferentemente das dicas de como se vestir, de como se portar, de andar em bando, de voltar cedo, mostram eficiência. Quer ver?

Dicas para prevenir estupros (autor desconhecido)

1. Não coloque drogas nas bebidas das pessoas para controlar o comportamento delas.

2. Ao ver alguém andando sozinha, deixe-a em paz.

3. Se você parar para ajudar alguém com problemas no carro, lembre-se de não estuprá-la.

4. Nunca arrombe uma janela ou porta trancada sem ser convidado.

5. Se você estiver num elevador e mais alguém entrar, não a estupre.

6. Conte com seus amigos! Se você não for capaz de deixar de estuprar as pessoas, peça a um amigo pra ficar com você enquanto estiver em público. (Adendo: exceto que esse seu amigo também seja um estuprador, é claro).

7. Seja sempre honesto com as pessoas! Não finja ser um amigo preocupado para conseguir a confiança de alguém que você pensa em estuprar. Pense em falar pra ela que você pensa em estuprá-la. Se você não expressar suas intenções, as outras pessoas podem ver isso como um sinal que você não planeja estuprá-la.

8. Não se esqueça: você não pode transar com alguém se essa pessoas não estiver acordada.

9. Leve um apito! Se você está preocupado em estuprar alguém acidentalmente, você deve dar o apito para a pessoa com quem você está para que ela possa usá-lo se você tentar alguma coisa.

10. Não estupre.

 

E por fim, mesmo sem falar 10% de tudo que tinha pra falar, eu dou meu apoio total ao movimento e termino meu monólogo sambando. Não estupre. Não incentive o estupro. Não culpe a vítima. E ESQUEÇA da roupa.

Nós podemos nos vestir como quisermos, andar onde bem entendermos e ninguém tem o direito de nos encostar um dedo sem o nosso consentimento. Feminismo é de luta. Apoie essa ideia!

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Aquele da Loish

Pra hoje, o trabalho de Lois Von Baarle – a Loish, alemã de 28 anos que estudou animação em Ghent, na Bélgica e agora é freelancer em ilustração e animações. Já tem um tempo que estou acompanhando o trabalho dela, mas só agora caiu a ficha que ela não é exatamente conhecida (dados da pesquisa: da minha lista de amigos, apenas 2 já curtem a página). Confere aí algumas coisas que selecionei da bela:

 

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Vocês podem encontrar a página dela no facebook sobre o título simples de Loish e ver mais criações, ou comprar se quiserem, no site-galeria http://www.loish.net/

Aquele do Santani

Sim, mais um post com nome de artista. E esse é dos feras, viu? Ele criou uma série de animais psicodélicos que lembram filhotes de Stich, coelho, unicórnio, raposa, mico leão dourado, leopardo e coruja. E aqueles bichinhos de Madagascar – o filme. Ficou curios@? Dá uma olhada nesses aqui:

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Infelizmente (ou felizmente pro bolso dos papais e mamães por aí), o criador desses monstrinhos mais fofos do mundo não vende pra fora. É, vamos ficar na vontade – ou pelo menos eu vou.

Temos que pegar, pegá-los eu tentarei… Pokemon!

Aquele de um ano

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Parabéns pra você!

Happy b-day to you!

Joyeux anniversaire!

Feliz cumpleaños!

Confesso que nem estava lembrando (que exemplo, hein? rs), mas o próprio blog me deu o aviso!

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Então, nesse caso, um salve pra minha querida plataforma da escrita! Alguém se oferece pra fazer o bolo? Eu levo o guaraná!

E bora pra mais um ano com mais posts e mais interação!

Vejo vocês por aqui,

Beijões, queridos!

Image(sim, tô idiota felizona com esse atraso de vida que é o MomentCam! hahaha)

 

Aquele do Brilho Eterno

Tirando o atraso.

Muitos de vocês já devem conhecer aquele espetáculo de filme Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, uma das raras oportunidades de ver o Jim Carrey sem deformar seu rosto numa careta.

Para os que não conhecem, imaginem a seguinte realidade: é possível apagar, seletivamente, suas memórias. Um episódio traumático, uma fase da vida, ou até mesmo… Uma pessoa.

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Em julho desse ano, Brilho Eterno completará seus 10 anos. Mas como sou ansiosa, adiantei o post. Espero que gostem.

Então me lembrei de um artigo que li no site da Superinteressante, que não é novo (outubro/2012), mas me parece ser pouco conhecido. Acontece que aquela ideia surreal do filme, de apagar memórias, já é possível – embora ainda não seja acessível.

O neurocientista naturalizado americano Karim Nader percebeu que os neurônios, além de interagir entre si, precisam de algo mais para regravar uma memória. Esse algo mais de que falei vem a ser uma proteína, chamada PKMzeta, como descobriu depois um outro neurocientista, Todd Sacktor, da Universidade Columbia.

Grosso modo, se essa proteína é bloqueada enquanto nos lembramos de algo, essa memória não é regravada – e se vai, mesmo depois da proteína voltar a ser liberada.

Porém, a PKMzeta é um tanto radical. Ela destrói a memória. Ainda há pesquisas para encontrar proteínas ainda mais específicas, que possam, por exemplo, no lugar de memórias, retirar as emoções associadas a elas. Você se lembraria do incêndio que houve na sua casa, na infância, mas sem ficar angustiado e nervoso em todo lugar que encontra velas.

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E nesses aspecto, os cientistas da McGill University e Harvard Medical School descobriram um método, bastante simples até, de modificar memórias sem destruí-las. Com o propanolol. Remédio pra pressão alta. Isso porque ele inibe a norepinefrina, um importante neurotransmissor. Assim, ele interfere na consolidação da memória, retirando sua carga emocional.

O toripamato, por sua vez, remédio para convulsões, inibe o neurotransmissor glutamato, que age no hipocampo, peça chave do sistema límbico. Foi o que disse a Universidade Federal de São Paulo (pois é! O Brasil também está nessa.) Com ele, seria possível diminuir os pensamentos repetitivos acerca de um acontecimento que deixe alguém emocionalmente abalado.

O estresse pós-traumático afeta 420 milhões de pessoas, manifestando-se na forma de ansiedade ou depressão. Um medicamento que modificasse, retirasse ou amenizasse aquela memória melhoraria a qualidade de vida de muita gente!

Mas claro que há objeções. Afinal, para muitos, escolher esquecer é um problema da bioética. É correto apagar os registros de alguém? Em quais situações isso seria permitido? E mesmo em termos jurídicos, isso iria repercutir. Uma testemunha que escolha esquecer não pode depor. Ou um criminoso que decida não se lembrar do crime cometido, estará num sério problema, visto que para a sociedade, por mais que ele não se lembre, aquilo ainda aconteceu.

E você, o que faria?

BD750744FC9B127B-D73EF47BBC3CF649Obrigada 🙂

Aquele do BGA

Olá leitores do meu coração!

Vamos começar com as explicações, porque pode ser que alguém tenha percebido que tem um mês que o Como isso afeta o meu dia não tem nada novo. Acreditem, não é por falta de ideias.

Acontece que o meu bebê computador surtou, uns tempos atrás. Do na-da. Estava vendo 10.000 AC na Netflix quando, de repente, o pc teve um derrame!

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Piscou umas duas vezes e em seguida – puf! – ficou com a tela preta. Não desligada, mas preta, entendem?

Só aparecia, em piscadelas, quando eu o reiniciava e quando acionava o comando ctrl + alt + del. E mesmo assim, por menos de um segundo, eu diria.

Era início do feriado (sim, de carnaval ainda), então o jeito era esperar. E dá-lhe paciência…

Passaram-se os dias e o meu filhote foi pro médico, na Master Informática. Teve que ficar internado durante duas semanas inteiras.

E isso que ele já estava passando mal em casa antes.

Então, o curandeiro deu seu primeiro diagnóstico: o problema estava na tela. Ficamos na fila de espera para a chegada do novo órgão.

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Assim que chegou, foi feito o transplante, que embora bem sucedido, não resolveu o problema.

Meu primogênito continuava em coma.

Daí, após uma série de exames laboratoriais, o Dr. Maurício chegou conclusão que queríamos evitar:

O problema era congênito. O BGA, peça integrante da placa mãe, havia soltado alguns dos seus pontos de solda.

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Ele teria que passar por mais cirurgias. Uma, a laser, para retirar a peça e outra para recolocar no lugar com os encaixes perfeitos e reforçados com um marca passo de chumbo, para substituir seu coraçãozinho original de estanho.

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Depois disso, hoje foram os últimos exames da clínica e ele teve alta. Mas foi por pouco.

Agradecemos os cuidados e voltamos pra casa.

Ele já está voltando à rotina normal, se recuperando do trauma. E eu também.

No mais, estávamos com saudades!

Um beijo pra vocês 😉

Aquele do guia House M.D.

A série já acabou, todo mundo já viu o final (menos eu), o livro nem é novo… E mesmo assim cá estou trazendo algo a respeito. Do autor Toni de La Torre, o livro Dr. House – um guia para a vida, traz dicas para fracassar em todos os aspectos da vida e ficar ranzinza e amargurado como o protagonista.

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A ideia é explicar como se tornar antipático e neurótico com muito humor. O livro traz dicas completas com esse objetivo, que nós, a priori, nos sentimos muito satisfeitos em perceber que seguimos à risca.

Li esse livro no primeiro ano, 2011, e desde então, ficou na prateleira. Até ontem à noite, quando o resgatei para mostrar ao meu primo, estudante de psicologia. E lendo alguns trechos, até percebi que já estou precisando de outra dose de House – porque ser Pollyanna já cansou faz tempo.

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Embora pareça um livro apenas para diversão, o que é ótimo, ele acaba sendo um livro de auto-ajuda às avessas maravilhoso. E olha que eu tenho o maior preconceito com livros de auto-ajuda (pronto, falei!).

Ele ajuda não como a maior parte, nos ensinando o que fazer, como lidar com a dor, com a perda, com isso ou aquilo – e menos ainda nos dizendo o que não fazer. A ideia é dar lembretes, e dicas, sobre como proceder se quiser justamente ficar do avesso. Ficar rabugento, desesperançoso e mal amado. O anti-herói ideal.

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Quer ver?

Dá só uma olhada nesses lembretes de fim de capítulo:

Desconfie sempre dos outros. Se não tem argumentos para isso, invente algo.

O mundo conspira contra você, faça o possível para encontrar os culpados.

A sabedoria não consiste em aprender com os erros, mas em se lamentar por eles.

Converta o passado em uma época ideal que nunca poderá ser comparada ao presente.

Em vez de averiguar a verdade, faça suposições e imagine o pior.

Imponha-se metas impossíveis, pois dessa forma nunca conseguirá alcançá-las.

Não pense no que já conseguiu, mas fique obcecado com o que ainda não fez.

E esses são só alguns – os meus preferidos. Acho que nem preciso me estender muito explicando que são meus preferidos porque são os que mais faço. Acredito que todo mundo acaba sendo um pouco assim, às vezes. Só que tem hora que a gente deixa isso passar os limites do bom senso. Quando o mundo conspira contra você, quando você não pode confiar em ninguém, quando suas conquistas não representam nada, algo está definitivamente fora dos eixos.

A forma que o autor encontrou pra passar a mensagem não poderia ter sido melhor, pois o que começa como um livro para passar a tarde acaba se tornando um tema interessante de reflexão sem moralismo, sem contos de fada, sem final feliz nem método fantástico para chegar onde se quer, e sim alguns pensamentos que nos levam – pelo bem, pelo mal – a nos identificar e formalizar isso em nossa mente, que é quando finalmente percebemos quantas vezes fazemos papel de House e sabotamos nossos próprios planos.

Cinco estrelas.

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